03Efeitos por sistema

Mapa por sistema

Efeitos esperados, reversíveis e permanentes, organizados por sistema.

Efeitos por sistema

Descrição de cada efeito, janela temporal aproximada e reversibilidade. Sem juízo de valor: cada efeito pode ser desejado, neutro ou indesejado consoante os objetivos de cada pessoa.

Pele e pelos

3 efeitos

Aumento da oleosidade da pele

rev.
Início
16 m
Platô
1224 m

Mais perceptível no primeiro ano e tende a estabilizar. Pode ou não cursar com acne. (Endocrine Society 2017)

Pelos faciais e corporais

perm.
Início
612 m
Platô
4860 m

Início típico em 6–12 meses; densidade máxima pode levar 4–5 anos. Distribuição e densidade dependem fortemente da genética. (Endocrine Society 2017)

Rarefação capilar de padrão androgénico

perm.
Início
1224 m
Platô
60120 m

Ocorre na presença de predisposição genética (polimorfismos do receptor de androgénio). Curso e intensidade variáveis; para alguns é desejado, para outros não. (Endocrine Society 2017; WPATH SOC-8, Coleman et al., J Sex Med 2022;19(3):S1–S259)

Corpo

2 efeitos

Aumento de massa muscular e força

perm.
Início
612 m
Platô
2460 m

Potenciado por treino de resistência e nutrição adequada. Classificado como não totalmente reversível pela Endocrine Society 2017 (Tabela 13): alguma redução pode ocorrer com a descontinuação, mas tipicamente não há retorno completo ao estado pré-hormonização. (Endocrine Society 2017; Hembree WC et al., JCEM 2017;102(11):3869–903)

Redistribuição de gordura

rev.
Início
16 m
Platô
2460 m

Redução na região de quadris/coxas e aumento na região abdominal. Reversível com a interrupção da hormonização. (Endocrine Society 2017)

Mente

2 efeitos

Alteração da libido

rev.
Início
13 m
Platô
36 m

Início típico ao 1.º–3.º mês segundo a Endocrine Society 2017 (Tabela 13). Magnitude variável entre indivíduos; tende a estabilizar ao longo do tempo. (Endocrine Society 2017; Hembree WC et al., JCEM 2017;102(11):3869–903)

Alterações de humor e bem-estar

rev.
Início
0.53 m
Platô
312 m

Muitas pessoas relatam melhora do bem-estar e redução da disforia de género com a hormonização masculinizante. Oscilações iniciais são comuns e tendem a estabilizar. A evidência disponível não suporta uma associação causal entre testosterona terapêutica e o surgimento de nova patologia psiquiátrica (Colizzi M et al., J Endocrinol Invest 2014;37(12):1205–13; Costa R & Colizzi M, Ther Adv Psychopharmacol 2016;6(3):187–97). (Endocrine Society 2017)

Reprodutor

4 efeitos

Cessação da menstruação

rev.
Início
16 m
Platô
16 m

Geralmente nos primeiros 6 meses. Pode haver spotting intermitente. A ausência de menstruação não equivale a infertilidade.

Crescimento clitoriano

perm.
Início
16 m
Platô
1224 m

Crescimento típico de 1–3 cm, com variação individual. Permanente. (Endocrine Society 2017)

Alterações da mucosa vaginal

rev.
Início
16 m
Platô
1224 m

Pode haver ressecamento e maior fragilidade da mucosa. Quando incômodo, hidratantes ou estrogénio tópico em baixa dose aliviam sem comprometer a masculinização.

Redução da fertilidade

rev.
Início
16 m
Platô
312 m

A fertilidade pode recuperar após a interrupção da testosterona, mas a reversibilidade é incerta e variável entre indivíduos — não é garantida. A testosterona não é contraceptivo: gestação é possível mesmo sem menstruação, pois a ovulação pode persistir. Para quem deseja gestação biológica futura, a criopreservação de oócitos antes do início da hormonização é a opção de maior segurança. (WPATH SOC-8; Coleman et al., J Sex Med 2022;19(3):S1–S259; Hembree WC et al., JCEM 2017;102(11):3869–903)

Voz

1 efeito

Engrossamento da voz

perm.
Início
612 m
Platô
1224 m

Início típico aos 6–12 meses. Mudança permanente das pregas vocais. Acompanhamento fonoaudiológico pode otimizar projeção e ressonância. (Endocrine Society 2017)